Jazz.pt Magazine (Portugal)

O disco de estreia como líder do guitarrista nova-iorquino Travis
Reuter, lançado pela New Focus Recording, apresenta-nos uma proposta
coesa e rica ancorada numa experiência dum jazz inteligente e aberto
ao contacto com várias formas musicais criativas, quer nos timbres
usados, particularmente pela guitarra de Reuter, quer pela natureza
formal e estrutural das composições. Marcadas por blocos rítmicos de
alguma complexidade e frases algo angulares, de alguma forma
característicos de parte da actualidade do jazz, interpretados com
energia e sempre dentro dos limites do conforto de audição dum ouvinte
habitual de jazz moderno, o trabalho do quinteto liderado por Travis
Reuter, revela intérpretes de grande qualidade, energia e criatividade
e grande rigor interpretativo em temas em que a complexidade das
camadas de riffs pode por vezes passar despercebida, mas contribui
para uma experiência de audição muito estimulante. Revela também um
conjunto de músicos coeso, onde assistimos facilmente a transferências
entre estruturas mais tradicionais (secção rítmica + solistas), com
zonas de aproximação clara (e timbricamente assinalável) entre Reuter
e Viner ou Reuter e Bobby Avey, mas também, a momento de partilha (ou
integração) do saxofone de Viner na secção rítmica, em claro acerto
com Chris Tordini, muito sólido, afirmando espaço para uma maior
liberdade tímbrica e rítmica de Nazary, muito presente, mas sempre
integrado.
Sendo um disco curto, com 5 temas e pouco menos de 40 minutos,
Rotational Templates, tem também a vantagem de nos deixar a querer
ouvir mais, sem exaurir o campo de possibilidades que o quinteto
apresenta e sem estender desnecessariamente situações de solos ou
reapresentações de temas. Esta preocupação com a “eficácia”,
consciente ou não, confere ao disco e a cada um dos temas escritos por
Reuter uma forte coesão e alimenta a atenção do ouvinte, ao longo de
toda a estrutura, o que é uma proeza nada desprezível nos tempos que
correm.
Dito isto, não existe uma grande variedade de “registos” neste disco
e, nesse sentido, não há também grandes surpresas, mas o equilíbrio
conseguido entre referências jazzísticas mais tradicionais e um
discurso mais anguloso— “erudito”, dirão alguns—, temperado com
arranjos que envolvem o quinteto, criando contextos ricos para cada um
dos músicos explorar, com grande qualidade, discursos solísticos
consequentes, mas sem nunca se perder o sentido duma música de
conjunto, é notável e a audição do disco é muito estimulante.

rough translation:

New York based guitar player Travis Reuter’s debut album as a group
leader, published by New Focus Recording, presents us a coherent and
rich project, rooted on the experience of an intelligent jazz,
reaching to several creative music genres, both in the musical timbre
used, especially in Reuter’s guitar, and in the formal and structural
nature of the compositions. With rhythmic patterns of some complexity
and some angular phrasing, somewhat linked to nowadays contemporary
jazz, performed with energy and always within the comfort zone of
regular modern jazz listeners, the work presented by Reuter’s lead
quintet introduces us great performers, both in quality, energy,
creativity and skill, in themes where the complexity of riff layers
may elude the listener, but gives us a very rich listening experience.
It also shows us a coherent set of musicians, where there are easy
transitions between more conventional structures (rhythm section +
soloists) with areas of close collaboration between Reuter and Viner,
and Reuter and Bobby Avey, but also moments of sharing (or
integration) of Viner’s saxophone in the rhythm section, clearly
synced with a very solid Chris Tordini, opening spaces for a greater
timbre and rhythmic freedom by Nazary, very present, but always
integrated.

Being a short album, with 5 themes and a little less than 40 minutes,
Rotational Templates, also has the advantage of letting us wanting to
hear more, without exhausting the field of possibilities that the
quintet presents and without lingering unnecessarily on solos or
theme’s repetitions. This concern about “efficiency”, be it conscious
or not, gives the whole album and each and every one of the themes
written by Reuter a strong coherence and feeds the listener’s
attention, throughout the whole structure, which is a rare
accomplishment this day and age.

All that said, there’s not a whole lot of variations on “style” on the
album and, in that sense, there are also no big surprises, but the
balance between more traditional jazz references and a more angular
speech— more “academic” for some—, seasoned with arrangements that
surround the whole quintet creating rich contexts where each of the
musicians explore, with great skill, relevant solo interventions,
without ever loosing the notion of an ensemble music, is remarkable
and the album’s listening experience is very rewarding.

Rated 4 out of 5

–João Martins,  jazz.pt #36 (May/June 2011)